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A argentina da Rua das Frutas Maduras

Claudia Rodrigues, jornalista e terapeuta gaucha, produz textos maravilhosos, e desejava encerrar a semana aqui no blog com chave de ouro. Estava finalizando o post que falava sobre seios, e a coincidência não poderia ser maior quando ela me mandou esta 12108256_1084991164846303_6029821393634722807_nhistoria dentre tantas maravilhosas que escreve.Tive o prazer de conhece-la pessoalmente este ano ao participar da Oficina Inscrições corporais, Parto e Simbiose. Super bem humorada, empoderada, linda e inteligente, te coloca a refletir e encontrar sua Loba, a Mulher Selvagem que habita dentro de todas nós. Com vocês:

A argentina da Rua das Frutas Maduras

Por Cláudia Rodrigues

Pontualmente às 6h. Aos primeiros raios de sol ela passa pela Rua das Frutas Maduras. Os seios despidos, jovens, empinados, visivelmente livres de qualquer silicone trepidam levemente, balançam com o andar enterrando para sempre o que um dia veio a ser a garota de Ipanema. Passa ereta com seu narizinho correto, leva uma bolsa de pano a tiracolo, uma cadeira de praia e um pano qualquer amarrado abaixo da cintura. A soltura do requebrado é espontânea, o que não tem em absoluto nada de vulgar, sobra em sensualidade.
O primeiro a vê-la foi o Sr. Décio, de 80 anos. Muito tímido, sem qualquer preconceito, mas visivelmente surpreso, o Sr. Décio resolveu contar aos amigos, a turma da bocha. “Pois acreditem, é uma moça muito bela, tem um caminhar mais bonito do que o da Bardot, essa é mesmo bem mais do que um poema, é um ensaio, um tratado e meus amigos, acreditem, ela passa com os seios nus diariamente aqui na nossa rua, sempre às 6h da manhã, a parte de cima ela só coloca ali pelas 8h, quando as pessoas começam a chegar à praia”. Os amigos acharam que Décio estava era caduco, vendo coisas impossíveis, mas não custava verificar.
Na manhã seguinte as janelas das casas da Rua das Frutas Maduras já estavam brotadas de olhos masculinos espiando por entre as frestas das janelas. O alvoroço era geral, mas a confraria manteve-se discreta naquele assanhamento coletivo, secretamente produtivo nas noites de verão desfrutadas fielmente com as esposas.
Combinaram que para não espantar a moça, todos deveriam manter a devida discrição do fato e do ato, o fetiche de olhar, afinal entre eles nenhum era solteiro e estavam todos já passadinhos com suas carecas e barrigas avolumadas. A chance de algum deles se aproximar para paquerar e obter sucesso com a deusa argentina de pele, cabelos e olhos dourados, era praticamente igual a zero. Até porque assim que ela chegava à praia, um moço saradão, vindo da Rua dos Cactos da Sorte, sentava ao lado dela. Ambos ficavam a conversar a manhã inteira como um velho casal acostumado a veranear juntos por anos a fio.
O Sr Alcebíades, de 66 anos, garantia que era o próprio moço que amarrava o top nela: “Sim, meus caros, ele chega, dá um beijo na boca, desses beijos que os jovens chamam selinho, chega a roçar os dedos naquela curva perfeita da lateral do seio, amarra as tirinhas sorrindo e nada, não acontece nada com ele, o short dele nem se mexe”. Todos riam felizes, pavoneando-se sobre os tempos em que eram jovens, quando uma curva de joelho feminino já operava milagres em riste. Entre uma partida e outra de bocha sempre sobrava algum detalhe a ser contado, vibrado e multiplicado em fantasias, causos e devaneios.
O segredo durou pouco, não tardou para que as esposas ficassem sabendo e começou uma fuxicação a respeito do mistério da linda moça que estava a causar frisson entre os homens da Rua das Frutas Maduras. Dona Cíntia, que sofria de insônia, foi a primeira a descobrir e aquele se tornou o assunto dominante na reunião semanal da Confraria das Mulheres da Rua das Frutas Maduras. “Sim, eu trago a explicação e o porquê do alvoroço, é aquela argentina linda que fica ali na saída da nossa rua com seu namorado.”
Dona Eulália interrompeu. “Ora Cintia, que bobagem, uma moça tão discreta, está sempre com o namorado, um casal amistoso, educado, nunca os vi sequer em agarramentos e bolinagens na praia como tantos que se vê.”
Dona Cíntia tomou rapidamente a palavra de volta: “Ela passa às 6h da manhã com NADA na parte de cima, os seios completamente nus, até eu senti umas cousas, uns arrepios a me percorrer o corpo de tão sexy que ela é!”
Depois de um longo silêncio em que entraram em choque pela revelação, surgiu a ameaça, mais uma vez vestida de mulher, enfiando-se em seus casamentos duradouros. Irromperam a falar umas sobre as frases exasperadas das outras.
Logo estavam a fazer um abaixo assinado a ser entregue não sabiam para qual autoridade, afinal sequer havia qualquer certeza de que o topless era proibido.
Beatriz enfureceu-se: “Proibido ou não é um caso de atentado ao pudor e aos bons costumes!”
Dona Maria, de 72 anos, esposa do Sr Décio, que estava a com a mão levantada tentando ganhar a palavra, finalmente foi ouvida. “Senhoras, tenhamos calma…” E começou a rir nervosamente. As outras prestavam atenção, já meio irritadas com a felicidade de Dona Maria, que retomou a serenidade.
“Senhoras, preciso contar-lhes que o Décio estava sem…digamos…funcionar, se é que me entendem. E ando muito feliz pois Décio está como um jovem de 40 anos a me procurar de três em três dias. Como posso querer o mal dessa moça se obviamente está a me fazer, ainda que indiretamente, tanto bem? Ora, ora, eu quero mais é vê-la às 6h da manhã para ver se sinto eu mesma esses arrepios lésbicos de que nos fala a Cíntia!”
Todas calaram-se por alguns pesados minutos antes de começarem as confissões.
“É bem verdade que o Alcebíades anda que é um touro, já nem janta tanto, fica a me fitar e passar a mão como um rapaz e não vê a hora de nos recolhermos. Achei que eram os ares da praia”, disse Amanda, do alto dos seus bem vividos 58 anos.
Uma por uma foram concluindo todas sem exceção que os ares da moça no amanhecer é que estavam causando uma revolução sexual bastante agradável em seus esposos.
Wanda, de 48 anos, a psicóloga divorciada, que já havia enfrentado 12 anos antes a resistência das amigas da praia quando se separou e passou a veranear sozinha, se colocou serenamente na discussão pela primeira vez.
“Queridas, vamos tentar ver a sexualidade como nossos aparelhos celulares. Descarregados ou sendo carregados têm pouca utilidade, o importante é quando podemos usufruir da comunicação que eles possibilitam, soltemos os homens na dispersão e vamos nos focar na concentração, que é o que nos interessa.”
Caiu novo silêncio entre elas. Beatriz, que jamais revelava a idade, a mais jovem do grupo ou talvez a mais esforçada em dietas, exercícios, lipoaspirações e silicones, estava ainda bastante reticente, a boca fina de raiva, ciúme e despeito. Ao contrário das outras, via na moça uma rival, estava ofendida por seu marido precisar de uma espécie de isca para reavivar as noites de amor. As outras tentavam acalmá-la, convencê-la de que casamento é um banquete complexo a ser degustado por longos anos, cada fase um prato, o ciúme como tempero sempre seria perfeito, mas como ingrediente de peso, um veneno mortal. Filosofaram: homens e mulheres precisavam ser livres para não trair, a falta de liberdade para as fantasias apenas garantia um prato salgado ou azedado de vez. Beatriz sacudia a cabeça negativamente, continuava retesada; os olhos secos de raiva. Com as pernas presas em bloco, joelhos colados, segurava a pelve como uma virgem. Era a antítese do orgasmo fácil, próprio das mulheres mais velhas e provavelmente a única vantagem da sexualidade feminina na maturidade.
Cândida, a dona da pousada, colocou fim ao mistério: “Mulheres, mas que coisa essa discussão, a moça é inocente, o moço que a acompanha na praia é seu marido, estão hospedados na minha pousada, ficarão até o final da estação. Ele corre de manhã cedo, por isso a encontra na praia vindo da Rua dos Cactus da Sorte. E digo mais, ela está esperando o primeiro bebê, muito desejado por eles, quer amamentar sem dores e rachaduras, por isso toma o solzinho da manhã”.
Dona Maria saltou em susto, olhos arregalados: “T’esconjuro, t’esconjuro, Décio me deu trabalho demais a cada gravidez, guardem segredo disso tudo, se o Décio me fica sabendo que a moça está santificada pela maternidade, lá se vai minha temporada de orgia sexual!”

Sexo pós parto

Gente,

Olha que legal. Eu e a Jéssica a doula que me acompanhou no meu VBAC2 veio aqui em casa para filmarmos sobre sexo no pós parto. O papo foi muito bom, ficou bom até demais!

Acessem a página delas #doulasemlondrina no canal do Youtube, e claro acompanhe o meu canal #ninaalvarenga

A temática sexualidade e sexo no pós parto é um tema que tá rendendo muita matéria aqui pro blog. Fiquem ligados!