Crise de mãe, será?

Hoje já é dia 19 de janeiro de 2017 e eu ainda estou aqui, do mesmo modo que a tantos anos; mãe, dona de casa e esposa. Aspirante a empresária, aspirante a mulher, aspirante a ser Livre.

Todos os anos combinamos de fazer uma viagem de carro para o sul  na época de férias do filho mais velho. Escola é uma das prisões para os pais. Primeiro é a mensalidade, a segunda é a agenda. É claro que nos salva por umas quatro horas por dia, mas o preço é alto.

Bem, fica evidente pelo meu descontentamento que não fomos viajar esse ano novamente.

A vontade que me dá em períodos como esse do ano é ‘entregar’ o filho que hoje é obrigado a cumprir calendário escolar para a avó e ‘ir’. Afinal, as avós tem o costume de achar que nós as mães, sendo na maioria das vezes a norinha, não dá conta de cuidar de seus filho (o seu marido no caso) e de seus netos (seu filho no caso).

_ Ding Dong! Oi, vou deixar ele aqui ok! A mala tem roupa pra uns 40 dias, grana pra despesas e o restante pela internet a gente resolve! Faz melhor! Beijos (e walk away)

Criar filho é um trabalho medonho. Conviver com eles é estafante, responder as expectativas deles e da família, da escola é algo de peso que nem Atlas suportaria tanto tempo. As artimanhas eletrônicas e pacotes de viagens e intercâmbios, tennis e roupas de marca enfurnam as ideias das crianças e geram competitividade exacerbada entre pais.

Dedico a tanto tempo a melhor fase (esta a jovem da vida) a cuidar de meu filho e chegamos a um ponto da sua pre adolescência aonde os defeitos superam as qualidades, e sem falar a fase de ruptura de valores pessoais contra a dos pais. A descoberta de seu próprio mundo  gera o comum conflito de gerações; assim ficam cada vez maiores as guerras por espaço. As vezes esses conflitos superam o amor.

Nos períodos antigos as crianças por volta de seus dez anos tinham mais liberdade, mais audácia e opções para desbravar o mundo ao redor. As cidades, bairros, terras eram de capacidade populacional menor, e o mundo era maior. Apesar de terem menos informação do que hoje eles viviam mais felizes. O medo era por si só uma felicidade de estarem aonde estavam.

Se na juventude queriam algo eles se felicitavam com qualquer coisa, era tudo tão dificil, tão pobre que logo se felicitavam, durava essa tal felicidade.

Era uma ignorância feliz.

Cada conquista gerava  saciedade para a posterioridade.

Escalar a arvore mais alta, montar o cavalo valente, nada no rio pelado, ir na rua ‘de cima’, atirar pedra no vizinho, tocar campainha e sair correndo…coisas pequenas que davam alegria e aos pais espaço.

Como criança sei que eramos felizes.

Como criança, me lembro que a adolescência seria o período critico, do tal vestibular e passar em concurso; seja em banco ou publico.

As crianças eram livres mas os pais ainda assim presos na obrigação de moral,valores, sustento…

Aonde é que os pais vivem leves e livres? Já existiu isso? Existe isso?

Será utopia?

O conforto pelo qual lutamos hoje tem o peso de barras de aço e sol quadrado.

Foi um leve, meio distorcido desabafo. Meus textos nem sempre coesos. Mas escrevo sempre sob ‘zona de guerra’.

Beijos

 

 

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2 comentários sobre “Crise de mãe, será?

  1. Nina, adoro seus textos porque você fala a realidade. Estou tão mas tão cansada já desse mimimi de engolir os problemas e fazer cara de propaganda de margarina. E você não é assim, isso te torna especial.
    Sobre o texto, meu filho está apenas com cinco anos e tenho notado demais isso, ele não coloca a cara pra fora de casa sozinho. Vivo falando pra pegar um bola e chutar na frente de casa, um patinete e andar.. mas não. Prefere passar o dia inteiro na frente da tv ou dentro de casa só reclamando. Só brinca se estivermos juntos. Sinto que mesmo tendo um quarto com muitos brinquedos ele não sabe brincar sozinho, parece infeliz.
    Quero tempo, quero espaço, mas também quero ver ele feliz. Não sei oq acontece, não sei de quem é o erro.
    Já pensei várias vezes em me mudar daqui pra onde ele pudesse ter uma infância de verdade como a minha foi (e ser mais feliz e me fazer feliz tb) mas ir pra onde?
    Não sei, esse mundo tá estranho. Pára que eu quero descer.

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